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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

DESAPONTAMENTO DE UM SUICÍDA


O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :Desapontamento de um Suicida
Autor:Chico Xavier (médium)
Humberto de Campos(espírito)
Fonte:Livro: Reportagens de Além-Túmulo
MENSAGENS
     
O generoso Rogério, excelente amigo do plano espiritual, que, desde muitos anos, vem consagrando as melhores energias ao serviço das entidades sofredoras, procurou-me para um convite.
- Queres acompanhar-me no trabalho de socorrer um desventurado suicida que sofre nas regiões inferiores, há trintas anos?
- Trinta anos? – interroguei, admirado.
- Outros existem, nos círculos de padecimentos atrozes, com mais dilatado tempo que esse – respondeu serenamente.
Por minha parte, não conseguia dissimular o assombro justo.
- Semelhantes angústias – retorqui – devem ser conseqüências de romance bem doloroso.
- Não tanto. No presente caso, ao lado do infortúnio, não podemos esquecer a irreflexão e a rebeldia.
A observação de Rogério espicaçava-me a curiosidade.
- Gostaria de acompanhar-te, mas não me posso furtar ao desejo de conhecer alguma coisa da história dessa personagem que iremos visitar.
- É interessante – replicou-me -, entretanto, não é incomum. Homens numerosos se encontram, atualmente, em suas antigas condições.
E, depois de tomar posição como narrador engraçado e otimista, começou atencioso:
- Há cerca de trinta anos, Tomasino Pereira era empregado de uma tipografia no Rio de Janeiro. Temperamento singular e atrabiliário, jamais pudera evadir-se do círculo das lamentações estéreis. Não se fazia ouvir senão para comover os interlocutores com queixas acerbas. Lastimava-se incessantemente. Acusava o mundo, o país, o trabalho, os amigos. Em vão procuravam os companheiros injetar-lhe coragem e otimismo. O misero estava sempre excessivamente nervoso ou irremediavelmente desalentado. A família numerosa, os deveres cotidianos, as contas mensais do armazém, açougueiro e padeiro, amedrontavam-lhe o espírito. Entretanto, a maior tragédia de Tomasino, na apreciação de si próprio, era o problema conjugal. A esposa ignorante não o compreendia. E em vez de melhorar-lhe as condições espirituais com carinho e paciência, levantando-lhe as concepções em busca dos horizontes superiores da vida, o infeliz gastava o tempo em promessas de pancada, ameaças de separação, gestos violentos e rudes. A situação enchia os filhinhos do casal de espanto e amargura, pois o chefe da casa, em desespero, dava a impressão de um louco, sem esperança de cura. Quando não esmurrava as mesas, em fúria doentia, mantinha-se em atitude de extrema desolação, apático, em prantos angustiosos. No quadro de seus afeiçoados, estava o Oscar Fraga, amigo de infância e de luta diária, que se valia das fases de desânimo do amigo para mais aproximar-se, tentando arrancar-lhe a alma das tempestades da incompreensão. O caso, porém, tornava-se mais complicado, dia a dia. Tomasino andava possuído de idéia sinistra. Alimentava o propósito de suicídio com preocupação crescente. No íntimo, sempre considerara os que fogem às tormentas da vida humana como criaturas privilegiadas e corajosas. Não era a melhor maneira de protestar contra o destino, retirar-se do mundo em silêncio? Não lhe parecia a existência terrestre enorme banquete, onde alguns se serviam dos manjares, reservando-se a outros as ervas amargosas? Depor o fardo a meio do caminho, em seu modo de ver, constituía a atitude mais consentânea com a dignidade pessoal. No fundo, acreditava na existência de Deus, mas a cegueira de espírito não lhe deixava entrever o menor vislumbre das verdades essenciais, que o induziriam à coragem indispensável no combate comum. À medida que lhe crescia nalma a intenção de escapar à luta, mais se sentia herói.
Percebendo-lhe tão perigosas disposições, o Fraga, que era espiritista convicto, aproximou-se com mais vigor, trazendo-lhe a cooperação fraternal de que dispunha. Eram mensagens de suicidas desventurados, exortações evangélicas, páginas de consolação e reerguimento moral.
- Tudo isso é fumo de ilusão – exclamava Tomasino, desalentado -, ninguém pode regressar da poeira do túmulo. Creio em Deus e estou certo de que Ele, mais que ninguém, compreende a minha dor.
- Também eu – murmurava o companheiro, pacientemente – não ponho em dúvida o interesse amoroso do Altíssimo em nosso favor. Naturalmente entenderá nossas mágoas, mas não poderá tolerar nossas rebeldias.
- É isso! – gritava mais fortemente o infeliz – estou abandonado, tudo para mim está perdido! A desgraça colheu minha sorte, é preciso morrer. Tudo apodreceu, tudo caiu!...
E, enquanto o desventurado enxugava os olhos com o lenço, o companheiro retrucava com larga dose de bom humor:
- O nervosismo costuma também fugir à verdade. Não estás sendo reto.
- E ainda me acusas? – perguntava Tomasino, desgrenhado.
- Nem todas as coisas permanecem derrubadas – esclarecia o Fraga, calmamente -, pelo menos esta casa, que Deus transformou em ninho de teus filhos e onde encontramos refugio para a conversação afetuosa, ainda está de pé.
A resposta parecia suavizar os abafamentos do interlocutor, pela nota de humorismo. Depois de alguns minutos pesados de meditação, Tomasino voltava em desalento:
- Mas... e Olinda? Se minha mulher compreendesse as necessidades justas, talvez que a vida se equilibrasse...
- Por que não lhe auxilias a alma inculta, empenhando nisso as melhores forças do coração? – inquiria o companheiro sensatamente. – Olinda não é má. Como sabes, a ignorância tem arestas que é necessário desgastar. Além disso, nunca deverias esquecer que se trata da mãe de teus filhinhos. Deus não vos teria unido sem razões fortes, na estrada da vida imortal. Vejo, em tudo isso, a representação de teus débitos espirituais no passado e que se torna imprescindível resgatar.
Tomasino atalhava em tom irado:
-Não tens outro argumento senão esta história de reencarnações?
- Tenho, sim... – murmurava o Fraga, sem se perturbar.
E enquanto o outro o contemplava espantado:
- É indispensável que cada um saiba carregar a sua cruz redentora.
- És sempre fecundo nos conselhos!- clamava o mísero, desesperado.
O amigo, porém, sem qualquer irritação, prosseguia de bom humor:
- Estás enganado. Este conselho não é meu, é de Jesus-Cristo. Não me sinto devidamente iluminado para orientar a quem quer que seja; no entanto, creio que concordarás comigo quanto à competência do Salvador.
A verdade, contudo, é que o Fraga sempre se retirava sem obter nenhum resultado satisfatório. Irascível, teimoso, impermeável aos benefícios da fé religiosa, Tomasino Pereira manteve-se inacessível a todos os processos de socorro espiritual. E na idéia orgulhosa de que poderia enfrentar o próprio Deus, a fim de inquirir o Criador, quanto aos enigmas do destino, uma noite tranqüila, sem que ninguém esperasse, estourou os miolos irrefletidamente.
A narração movimentada levou-me a recordar alguns companheiros das tarefas humanas, impressionando-me, vivamente.
- Esse é o Espírito que encontraremos daqui a alguns instantes – concluiu Rogério com um sorriso generoso.
De fato, sem despender maior esforço, descemos a uma região de sombras muito espessas. Assemelhava-se, antes de tudo, a uma grande caverna pestilenta e úmida, como deveriam ser os calabouços da Idade Média. Viam-se ali criaturas estiradas, em gemidos lancinantes.
Conservando-se a distância, Rogério exortou-me a permanecer em sua companhia e enviou alguns auxiliares nem busca do desventurado Tomasino.
O infeliz aproximou-se, de rastros. Parecia um monstro, tal a desfiguração pelo sofrimento. Observando os fluidos luminosos que envolviam Rogério a esperá-lo, o mísero supôs que defrontava um dos mais altos emissários de Deus. Enganado ainda pelas falsas concepções da Terra, começou a chorar, convulsivamente, acreditando que o Altíssimo lhe dispensava honrosas deferências, como se fora um herói esquecido, em revisão de processo.
- Anjo Celeste – murmurou prostrando-se ante Rogério -, eu sabia que Deus me faria justiça. Fui um infortunado na Terra, vaguei como cão sem dono entre aqueles que desfrutavam o banquete da vida humana; atravessei a existência incompreendido e aqui estou, em abandono, em pavorosa caverna de martírios, aguardando a Providência Divina..
As lágrimas caiam-lhe em suprema desesperação. O interpelado, porém, mantinha-se em serenidade impassível e disse-lhe com firmeza:
- Tomasino, esquece o vicio da queixa. Não sou um anjo celestial, sou teu irmao no mesmo caminho evolutivo. Não vim até aqui para arquivar as tuas lamentações, mas para sugerir-te calma e boa-vontade, atendendo a muitas rogativas dos que se interessam por ti. Não consta, no plano espiritual mais elevado, que hajas sido tão infeliz e sim que sempre foste rebelde aos alvitres divinos, quanto preguiçoso nas realizações para a vida eterna.
O suicida experimentou indisfarçável surpresa. Esperava que todos os emissários do mundo superior fossem portadores de uma doçura de mel. Viciado como criança caprichosa e exigente, não entendia a bondade fora dos prismas da ternura. Assustado, Tomasino assumiu atitude diversa.
- Venho para ser útil às tuas necessidades presentes – continuou Rogério sem emoção -, prestando-te este ou aquele informe que julgues necessário ao soerguimento do teu espírito.
Via-se que o choque fora benéfico a Tomasino. Começando a compreender que a responsabilidade não dispensa a energia, fazia esforços para esquecer as velhas lamurias e enveredar por expressões sérias, condizentes com a sua posição espiritual.
- Desejaria receber noticias de meus filhos! – disse num gesto mais digno.
- Todos realizam as suas tarefas satisfatoriamente – esclareceu Rogério, delicado. – Como deves saber, as obras de Deus não sofrem solução de continuidade, porque este ou aquele dos trabalhadores delibere escapar aos compromissos assumidos. Teus filhos são homens de bem, úteis à sociedade de que são parte integrante e ativa; tuas filhas, nos dias que correm, são mães devotadas e generosas. Eles confiavam em ti, quando não possuías nenhuma parcele de confiança em ti mesmo. E porque hajas fugido do lar, desamparando-os, nunca te esqueceram nas intercessões amorosas.
- Infeliz que fui! – exclamou o suicida com acento amarguroso.
- Devias afirmar, antes de tudo, que foste tolo!
Extremamente desapontado, Tomasino quis desviar o assunto e interrogou:
- Creio que tendes poder para auxiliar-me. Que devo fazer para melhorar esta situação? Sinto a cabeça tonta, sem direção... Desejaria, pelo menos, alcançar um tantinho de saúde...
- Perguntaste bem – disse-lhe o meu amigo -, esse desejo evidencia as tuas melhoras e4spirituais. O que te poderá restaurar a saúde e o equilíbrio é a nova aplicação de terra.
- Aplicação de Terra? – revidou Tomasino assombrado.
- Sim, terás de ser revestido, novamente, de um corpo terrestre. No Planeta encontrarás o remédio para teus males. Despedaçaste o crânio e voltarás a exibir, no mundo, o crânio despedaçado. Não te faltará a medicação...
- Medicação?...
- Perfeitamente – esclareceu Rogério -, a idiotismo, a loucura, o desequilíbrio nervoso...
- São doenças – atalhou o suicida prontamente.
- É verdade, Tomasino, os seres terrenos ainda não compreenderam; mas, enq1uanto curam as enfermidades, acabam curados por elas. Aceitas, pois, o remédio do porvir?
Reconhecia-se o pavor do infeliz, em face da indicação, mas, ao cabo de longos minutos de meditação, murmurou humilhado:
- Aceito... Quando deverei voltar?
- Quando nossa irmã Olinda estiver em condições de te receber nos braços maternos.
O suicida compreendeu e entrou em profundo silêncio.
Daí a instantes, era novamente recolhido ao seu cárcere de dor. Acerquei-me, então, de Rogério, admirado. Meu amigo trazia agora os olhos úmidos, revelando enorme piedade e comoção. Antes que lhe fizesse qualquer pergunta, tomou-me delicadamente o braço e murmurou compungido:
- Imensa é a tragédia dos Espíritos sofredores. Mas, no auxílio efetivo, é indispensável considerar que cada doente reclama o seu remédio. A maioria dos suicidas requisita a dureza e a ironia para que possa entender a verdade. Até que se verifique a próxima experiência terrestre, Tomasino Pereira estudará sinceramente a própria situação e não se queixará mais...

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O MENSAGEIRO//SENHOR-ISRAEL


Como houvesse o Senhor recomendado nas instruções do dia muita cautela no julgar, a conversação em casa de Pedro se desdobrava em derredor do mesmo tema.
- È difícil não criticar – comentava Mateus, com lealdade -, porque, a todo instante o homem de mediana educação é compelido a emitir pareceres na atividade comum.
- Sim – concordava André, muito franco -, não é fácil agir com acerto, sem analisar detidamente.
Depois de vários depoimentos, em torno do direito de observar e corrigir, interferiu Jesus sem afetação:
- Inegavelmente, homem algum poderá cumprir o mandato que lhe cabe, no plano divino da vida, sem vigiar no caminho em que se movimenta, sob os princípios da retidão. Todavia, é necessário não inclinar o espírito aos desvarios do sentimento, para não sermos vitimados por nós mesmos.
Seremos julgados pela medida que aplicarmos aos outros. O rigor responde ao rigor, a paciência à paciência, a bondade à bondade...
E, transcorridos alguns instantes, contou:
- Quando Israel vivia sob o governo dos grandes juizes, existiu um magistrado austero e violento em destacada cidade do povo escolhido, que imprimiu o terror e a crueldade em todos os serventuários sob sua orientação. Abusando dos poderes que a lei lhe conferia, criou ordenações tirânicas para a punição das mínimas faltas. Multiplicou infinitamente o número dos soldados, edificou muitos cárceres e inventou variados instrumentos de flagelação.
O povo, asfixiado por estranhas proibições, devia movimentar-se debaixo de severa fiscalização, qual se fora rebanho de bravios animais.
Trabalharia, descansaria e adoraria o Senhor, em horas rigorosamente determinadas pela autoridade, sob pena de sofrer humilhantes castigos, nas prisões, com pesadas multas de toda espécie.
Se bem mandava o juiz, melhor agiam os subordinados, cheios de natural malvadez.
Assim foi que, certa feita, dirigindo-se o magistrado, alta noite, à casa de um filho enfermo, foi aprisionado, sem qualquer consideração, por4 um grupo de guardas bêbados e inconscientes que o conduziram a escura enxovia que ele mesmo havia inaugurado, semanas antes. Não lhe valeram a apresentação do nome e as honrosas insígnias de que se revestia. Tomado por terrível ladrão, foi manietado, despojado dos bens que trazia e espancado sem piedade, afirmando os sentinelas que assim procediam, obedecendo às instruções do grande juiz, que era ele próprio.
Somente no dia imediato foi desfeito o equivoco, quando o infeliz homem público já havia sofrido a aplicação das penas que a sua autoridade estabelecera para os outros.
O legislador atribulado reconheceu, então, que era perigoso transmitir o poder a subalternos brutalizados e ignorantes, percebendo que a justiça construtiva e santificante é aquela que retifica ajudando e educando, na preparação do Reinado do Amor entre os homens.
Desde a singular ocorrência, a cidade adquiriu outro modo de ser, porque o juiz reformado, embora prosseguisse atento às funções que lhe competiam, ergueu, sobre o tribunal, a beneficio de todos, o coração de pai compreensivo e amoroso.
Lá fora, brilhavam estrelas, retratadas nas águas serenas do grande lago. Depois de longa pausa, o Mestre concluiu:
- Somente aquele que aprendeu intensamente com a vida, estudando e servindo, suando e chorando para sustentar o bem, entre os espinhos da renúncia e as flores do amor, estará habilitado a exercer a justiça, em nome do Pai.

VAMOS DIVULGAR-EVANGELHO

 
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Mauricio de Sousa lança ‘Meu pequeno evangelho’, livro da Turma da Mônica sobre espiritismo

Espírita, primo do pai de Cascão ensina aos personagens a doutrina de Allan Kardec

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RIO - A Turma da Mônica agora vai difundir os ensinamentos do espiritismo, doutrina codificada no século XIX pelo francês Allan Kardec. Mauricio de Sousa está lançando "Meu pequeno evangelho" (Editora Boa Nova), livro em que Cebolinha, Cascão, Magali, Anjinho, Penadinho e companhia aprendem os ensinamentos de Jesus contido no "Evangelho segundo o espiritismo", principal obra do kardecismo.
Nas 64 páginas da história ilustrada por Mauricio e idealizada pelo designer peruano Luis Hu Rivas e pelo administrador baiano Alã Mitchell, ambos espíritas, a Turma da Mônica recebe a visita de André, um primo de Seu Antenor, pai do Cascão, que é seguidor da religião.
Em meio à curiosidade das crianças, André apresenta conceitos do evangelho que todos podem usar no dia a dia, independentemente da religião que praticam. Sãomensagens de amor, caridade e humildade, contadas de forma divertida com os personagens.
Ensinamentos sobre felicidade, humildade, pureza, paz, misericórdia, amor, perdão etc. são passados um a um, sempre baseados em situações vividas pelos personagens e que são contadas a André.
O lançamento oficial, com a presença de Mauricio de Sousa, será 13 de dezembro, na livraria Cultura, em São Paulo.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/religiao/mauricio-de-sousa-lanca-meu-pequeno-evangelho-livro-da-turma-da-monica-sobre-espiritismo-14687392#ixzz3KlgfUlOq 
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

DEUS AJUDE.




Patrícia sentiu seu mundo desmoronar quando, após onze anos de casamento, seu marido lhe anunciou que tinha dado entrada no divórcio e estava saindo de casa. 


Seu primeiro pensamento foi para os filhos: o menino tinha apenas cinco anos e a menina, quatro. 

As dúvidas a assaltaram. Será que ela conseguiria manter a família unida? Será que conseguiria transmitir-lhes o sentido de família? Será que, criando-os sozinha, conseguiria manter o lar, lhes ensinar ética, valores morais e tudo o mais que eles precisariam para a vida? 

O importante era tentar. E ela tentou. Durante a semana, ela arranjava tempo para rever os deveres de casa, discutir a importância de fazer as coisas certas. Nos finais de semana, um programa infalível era levá-los para a evangelização. 

Era importante alimentar os seus espíritos com as lições de Deus, Jesus, a Boa Nova. 

E assim se passaram dois anos. Num dia das mães foi preparada uma homenagem muito bonita, no templo religioso. Falou-se a respeito da difícil tarefa de ser mãe e do reconhecimento que toda mãe merecia. 

Finalmente, foi pedido que cada criança escolhesse, dentre as tantas flores que estavam em vasos enfeitados, uma para dar a sua mãe, como símbolo do quanto era amada e estimada. 

Os filhos de patrícia se encaminharam até as plantas. Enquanto esperava, patrícia pensava nos momentos difíceis que os três haviam passado juntos. 

Olhou as begônias, as margaridas douradas, os amores-perfeitos violetas e ficou a planejar onde plantar o que quer que escolhessem para ela. Com certeza, eles trariam uma linda flor, como demonstração de seu amor. 

Todas as crianças já haviam escolhido as plantinhas e ofertado para suas mães, enquanto os filhos de patrícia continuavam a escolher. Pareciam levar a tarefa muito a sério, olhando atentamente cada vaso. 

Finalmente, com um grito de alegria, eles acharam algo bem no fundo. Com sorrisos a lhes iluminar os rostinhos, eles avançaram até onde ela estava sentada e a presentearam com a planta que haviam escolhido. 

Ela olhou estarrecida. A planta estava murcha, com aspecto doentio. Aflita, ela aceitou o vaso que os filhos lhe estendiam. Era óbvio que eles haviam escolhido a menor planta, a mais doente. Nem flor tinha. Ela sentia vontade de chorar. 

Mas eles olhavam para a plantinha orgulhosos, sorridentes. Mais tarde, já em casa, patrícia não se conteve e perguntou: 

Por que, em meio a flores tão maravilhosas, vocês escolheram esta flor para me dar? 

Ainda orgulhoso, o menino declarou: 

Mamãe, é que esta estava precisando de você. 

Enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto, patrícia abraçou seus dois filhos, com força. 

Eles acabavam de lhe dar o maior presente de dia das mães que jamais poderia ter imaginado. 

Todo o seu trabalho e sacrifício, ela reconhecia, não estava sendo em vão: eles estavam crescendo perfeitamente bem e tinham entendido a linguagem da renúncia e do amor. 

*** 

Não existe uma forma de ser mãe perfeita, mas um milhão delas de ser uma boa mãe. 

Esmere-se por ser uma boa mãe o bastante para seus filhos. Sensata para os transformar em homens de bem. Correta para lhes dar os exemplos de cidadania. 

Digna para exemplificar a honra e amorosa para lhes falar das coisas que não perecem nunca e criam tesouros além da vida material.
Equipe de Redação do Momento Espírita com base no cap. Flores para o dia das mães, de Patrícia A. Rinaldi, do livro Histórias para aquecer o coração das mães, ed. Sextante.

O QUE EU POSSO FAZER?


O escritor suíço Denis de Rougemont, um arguto defensor da unidade européia, e, especialmente, um estudioso da ocidentalidade, disse algo que inspirou muitos discursos políticos: A decadência de uma sociedade começa quando o homem pergunta a si próprio: "O que irá acontecer?", em vez de inquirir: "O que posso eu fazer?" 

São posturas muito diferentes perante a vida. 

O filósofo brasileiro Mário Sergio Cortella, ao analisar a questão com maior profundidade, afirma: A decadência, seja numa sociedade mais ampla ou outras instâncias, como a família, trabalho, etc. principia quando o imperativo ético da ação é substituído pela acomodação e pela espera desalentada. 

Muitos, na sociedade moderna, estamos nos acostumando rapidamente com alguns desvios que parecem fatais e inexoravelmente presentes, como se fizessem parte da vida. 

Assim, nos acostumamos com a violência, com o desemprego, fome, corrupção e outros. 

É a prostração como hábito! - exclama o filósofo. 

Como se um conveniente pensar estampado nos rostos e nas palavras disfarçasse uma suposta impotência individual, mas, que no fundo, é egonarcisismo indiretamente conivente. 

Tão confortável assim pensar... 

Confortável e extremamente perigoso. 

Felizmente a esperança ainda existe. 

Porém não confundamos a esperança do verbo esperançar, com a esperança do verbo esperar - como sugere Paulo Freire. 

Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, é não desistir! 

É levar adiante, é nos juntar com outros para fazer de outro modo. 

Pode-se ver claramente que a esperança do verbo esperançar é dinâmica, enquanto a outra, é estática, congelada, por vezes covarde... 

A esperança nos convida a pensar:Violência? O que posso eu fazer? 

Desemprego? O que posso eu fazer? 

Fome? O que posso eu fazer? 

Corrupção? O que posso eu fazer? 

Sempre teremos o que fazer. Sempre teremos uma contribuição a dar, nem que seja pelo nosso exemplo de agir no bem nas pequenas questões do dia-a-dia. 

Todos devemos nos perguntar: O que estamos fazendo por uma sociedade melhor? Qual está sendo a nossa contribuição? O que podemos fazer a mais para ajudar? 

Não nos é pedido em demasia, pois muitos fazendo um pouco que seja, já gera transformações, gera movimentos, revoluções silenciosas... 

Não se faz necessário muito, apenas não ceder à acomodação viciante, à indiferença paralisante, à alienação mortificadora. 

O que posso eu fazer? O que você pode fazer para melhorar o mundo? 

* * * 

René Descartes, em sua obra As paixões da alma, afirma que a vontade é tão livre por natureza que jamais pode ser coagida. 

Precisamos deixar nascer a vontade de uma vida melhor, e guiá-la nos primeiros passos da ação todos os dias...
Redação do Momento Espírita com base no cap. A resignação como cumplicidade, do livro Não nascemos prontos - provocações filosóficas, de Mário Sérgio Cortella, ed. Vozes e em citação do livro As paixões da alma - Dicionário filosófico de 

NOSSOS PAIS

 

Quem são nossos pais?


Quando abrimos os olhos, neste mundo, vimos debruçados sobre nosso berço, duas pessoas especiais: nosso pai e nossa mãe. 

Nos primeiros anos nos sentimos dependentes deles. E, mesmo o simples fato de eles estarem a nos olhar, se constituía em segurança para nós. 

Assim, aprendemos a andar, amparados pelos seus braços. Nossos machucados receberam curativos e beijos. 

Aprendemos a andar de bicicleta, enfrentamos as ondas do mar, as águas da piscina. 

Suas mãos nos conduziram à escola e quando fomos ali deixados pela primeira vez, pareceu que algo se quebrou dentro de nós. 

Estaríamos sendo abandonados? 

Contudo, ao final do dia, retornamos ao lar e aprendemos que a escola era somente um lugar para estar algumas horas. 

Era um lugar para aprender, para fazer amizades, para crescer. 

Mas sempre havia um lugar para voltar: nosso lar. O aconchego da família, a segurança paterna, o carinho materno. 

À medida que os anos foram se somando, deixamos de ser dependentes. Andamos com nossos pés, agimos com nossa vontade, alçamos vôos mais altos, ou rasos. 

E, alguns de nós, passamos a olhar os pais de forma diferente. Quem são eles para desejarem comandar a nossa vida? 

Quem são eles para dizerem o que devemos ou não fazer? 

Quem são? 

Nossos pais são Espíritos que, quase sempre, guardam relações afetivas conosco de longa data. Amigos que aceitam nos receber como filhos, desejando encurtar distâncias entre nós e o progresso. 

Espíritos que se dispõem a nos oferecer um corpo, a nos proteger, a nos amar. 

Exceções existem, é verdade. Espíritos não tão amigos que se reencontram no cadinho doméstico para ajustes do pretérito um tanto nebuloso. 

Mesmo assim, eles nos moldaram um corpo, permitindo-nos a reentrada no mundo carnal, e lhes devemos ser gratos. 

Mas, se desejam saber aonde vamos, com quem vamos, nesses tempos de tanta violência, é porque conosco se preocupam. 

Se nos estabelecem horários para o retorno ao lar, se nos procuram quando nos retardamos, é porque a nossa segurança os preocupa. 

Se insistem conosco para que estudemos mais, nos esforcemos mais, é porque, mais experientes pela maturidade que ainda não temos, nos desejam ver galgar degraus de sucesso. 

Se nos impõem disciplina, se nos exigem atitudes comedidas, é porque desejam colaborar com nosso progresso. 

Para isso, Deus nos confiou à sua guarda. 

E porque esse compromisso está registrado em sua memória espiritual, tanto quanto pelos laços de afeto que nos unem, eles se importam conosco. 

Pensemos nisso e antes de reclamarmos tanto, olhemos nossos pais com gratidão. 

Vivamos com eles o melhor possível. Afinal, não estarão sempre conosco. 

É possível que logo mais eles se transfiram para a espiritualidade, cumprida sua missão. 

Vivamos usufruindo o melhor da sua companhia, da sua sabedoria, dos seus afagos. 

Amanhã, quando não estiverem mais conosco, teremos doces lembranças para alimentar a nossa saudade.

OS MISERÁVEIS












Conta-nos Victor Hugo, em seu livro "Os miseráveis", que, na França, no século dezoito, viveu um homem que se chamava Jean Valjean.

Na prisão passou boa parte de sua juventude, embrutecendo seu espírito, acostumando-se a ser tratado como uma fera e agindo como tal.

Quando foi posto em liberdade, após o cumprimento da pena, recebeu um documento que, segundo lhe disseram depois, informava seu nome e mencionava que ele era um ex-condenado muito perigoso.

Na verdade, seu crime foi ter quebrado uma janela e ter roubado um pão para alimentar-se e alimentar os filhos de sua falecida irmã, que estavam sob seus cuidados.

Embora livre, seu futuro era incerto.

Vagava entre um vilarejo e outro, quando, numa noite muito fria, atreveu-se a bater na porta de uma casa que alguém lhe indicou como sendo de um homem muito piedoso.

Um senhor de expressão bondosa e serena o atendeu e, sem fazer perguntas, convidou-o para entrar e comer.

Valjean entrou ainda sem acreditar que alguém o pudesse receber com tão poucas reservas e de forma tão acolhedora.

Quem o recebia de maneira tão inesperada era o bispo monsenhor Ben Vindo, um homem caridoso e bom.

Era assim que o bispo tratava qualquer criatura que batesse na sua porta, a qualquer hora e em qualquer circunstância.

Sem questionamentos ele servia o que de melhor tinha para si próprio e tratava o mais simples viajante como se fosse um irmão muito caro.

Era esse o tratamento que o bispo oferecia também a Valjean que, embora desconfiado, comeu sem cerimônias e aceitou sem hesitação a oferta para dormir ali.

Na calada da noite, porém, abandonou o vilarejo correndo, carregando um pequeno embrulho e levando em seu coração muita culpa.

Traindo a confiança e a bondade do bispo, Valjean roubara-lhe os talheres de prata e partira sem destino, nem rumo certo.

Na manhã seguinte, entretanto, foi levado por guardas à presença do bispo, uma vez que, tendo sido preso portando tais preciosidades, alegou tê-las recebido de presente do bondoso senhor.

O bispo recebeu-os com tranqüilidade dizendo que deveriam soltar Valjean porque ele havia lhe dado toda sua prataria, e que embora Valjean tivesse levado os talheres, havia esquecido de levar também os castiçais.

Os guardas, espantados, partiram, deixando Valjean junto ao bispo que sem demora colocou junto aos talheres os castiçais de prata que possuía.

O ex-condenado, ante a atitude do bispo, arrependeu-se ainda mais de sua vergonhosa conduta da madrugada.

O bispo, porém, segurou-o pelos braços e olhando-o fixamente nos olhos, disse-lhe: "Jean Valjean, empregue o dinheiro obtido com a venda dessa prataria no esforço de tornar-se um homem de bem."

Tomado de espanto pela atitude inesperada do bispo, Valjean partiu sem jamais esquecer aquela promessa, que embora não tivesse partido de seus próprios lábios, guiou seus passos pelo resto de sua existência.

***

Deus auxilia os homens através dos próprios homens.

Vale-se daqueles que se dispõem a ser instrumentos divinos, na tarefa de auxílio e conforto aos seus irmãos.

Por vezes, gestos inesperados e até singelos, são capazes de verdadeiros prodígios para aqueles que os recebem, modificando-os para sempre, conduzindo-os de forma definitiva para o caminho do bem.
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro Os Miseráveis, de Victor Hugo.