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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

DO QUE PRECISAM AS CRIANÇAS

Do que precisam as crianças

   

Ele era um homem ocupado. Executivo de um grande conglomerado de empresas. 

Suas deliberações eram muito importantes para um número expressivo de pessoas que ali trabalhavam. 

A agilidade e acerto de suas decisões redundavam em produtividade, gerando lucros. 

Era admirado pelos seus superiores, havendo quem o considerasse indispensável. 

Por isso, seus dias eram tomados pela profissão. Desde o despertar ao se recolher para dormir, nas madrugadas, ele só pensava na empresa. 

Como alcançar melhores índices de produtividade, como gerar maiores lucros... 

Durante as refeições, não relaxava. Seu cérebro estava sempre ativo. Sua mente ligada nas questões da empresa. 

Sendo pai, é natural que não tivesse tempo para o filho. 

Porque o filho insistisse, porque a esposa lhe falasse, ele decidiu tirar um dia de folga para levá-lo para pescar. 

Foram somente os dois. O pai deixou a mesa repleta de serviços inacabados e foi com o menino para um lago isolado. 

Passaram o dia pescando, remando e conversando. 

Durante todo o tempo, o pai só conseguia pensar nas coisas urgentes que tinha para entregar, nas ligações telefônicas que precisava fazer. 

E os projetos que precisavam ser concluídos? Pensava nas tarefas a terminar e nas reuniões que precisava marcar. 

Quando findou o dia, ele retornou ansioso para sua mesa de trabalho. 

No seu diário, naquele dia, ele anotou: levei meu filho para pescar. Outro dia perdido. 

Mas, o garoto, exultante pelo dia passado com seu pai, escreveu em seu diário: 

Passei o dia com papai. Foi um dos melhores dias da minha vida. 

E adormeceu sorrindo. 

Se você é pai, pense nisso: as crianças de hoje realmente precisam de pais que joguem bola, brinquem de casinha, troquem a roupa da boneca. 

Porque é nisso que o coração de uma criança se apega. 

Precisam de pais que riam muito, até que a barriga comece a doer e lágrimas corram dos olhos. 

Porque assim nascem as lembranças que duram por toda a vida. 

Precisam de pais que ouçam as suas necessidades e com generosidade, digam: vamos fazer algo para resolver isso agora mesmo. 

Precisam de pais que agendem as apresentações escolares, as feiras de ciência ou os jogos de futebol. 

Porque pais são a mais importante platéia. 

Precisam de pais que olhem bem nos olhos e, escutem, com atenção, mesmo que para isso tenham de ficar de joelhos. 

Precisam de pais que leiam histórias, com entusiasmo e interpretação. 

Porque isso lhes alimenta a imaginação. 

Precisam de pais que admitam que estão errados, em algumas oportunidades, e se esforcem para fazer o que é certo. 

Precisam de pais que amem todo o tempo, pois o amor é um dom, e não uma recompensa oferecida por um serviço bem feito. 

Precisam de pais que as estimulem a ser bem-sucedidos em tudo o que fazem. 

Pais que fiquem ao seu lado enquanto a lição é estudada. 

Pais que ajudem a limpar a gaiola do bichinho de estimação, segurem a bicicleta até que elas aprendam a andar sozinhas. 

Pais que rolem na grama, comam pizza, tomem sorvete. 

Pais que ensinem a amarrar os cadarços do tênis, a colocar a meia, limpar o nariz. 

Pais gente, pais presentes. 

Pense nisso. Mas pense agora.

A ÚLTIMA CARTA


Um amoroso pai de família, dias antes de ser hospitalizado, enviou, pela Internet, uma carta a seus filhos, com a seguinte mensagem: 

"Filhos amados. 

Quando as coisas estiverem difíceis, abram bem os olhos e busquem o céu. 

Vejam como é imenso. 

Olhem a natureza e percebam como ela é incrivelmente linda, em cada detalhe. 

Olhem as cidades, seus prédios, os carros, e notem tudo o que a vontade do homem já foi capaz de produzir. 

Sintam que cada um de vocês faz parte da criação de Deus. 

Que cada um integra a própria natureza. 

E que cada um também tem de construir e de alterar um pouco de sua própria cidade. 

Percebam que vocês, aqui e agora, fazem parte de uma sociedade que constrói um mundo novo. 

Apesar da sensação de pequenez diante da grandeza do universo, e embora, por vezes, vocês se sintam sozinhos e sem forças, na verdade, cada um é importante e necessário na sinfonia da vida. 

O amor e a alegria de vocês produzem uma energia única, capaz de transformar o meio em que vivem e as pessoas que os cercam. 

Cada um pode levar mais luz ao caminho que palmilha, por intermédio de seu sorriso e de seu trabalho. 

E assim, pode iluminar outras vidas e enternecer outros seres. 

Não esperem que o mundo, que os outros façam algo por vocês. 

Respirem fundo e pensem: ‘o que eu posso fazer pelo mundo?’ 

O que posso fazer pelos outros? 

Nunca esqueçam que cada um colhe aquilo que plantou. 

Que os espinhos que hoje nos ferem as mãos são o resultado de uma semeadura equivocada do passado, próximo ou não. 

Se desejam uma estrada ladeada de flores, é preciso que elas sejam semeadas desde agora, por cada um de vocês. 

Acreditem: Deus está presente em tudo e em toda parte. 

Um dia a própria ciência humana, ainda tão limitada, será capaz de admitir e de comprovar essa valiosa verdade." 

Embora seu corpo físico não tenha resistido à doença que subitamente o atingiu, as palavras de amor e de fé daquele pai ainda ecoam no coração daqueles que o amam. 

Foi sua última carta. 

Uma mensagem estimulando seus amores ao caminho do bem, na direção do Criador. 

*** 

A fragilidade de nossa existência corpórea não nos permite ter certeza de que nossos olhos se abrirão na próxima manhã. 

Não sabemos quando será o nosso momento de partir para o outro plano da vida. 

Talvez ele tarde, talvez não. 

Quem sabe se as palavras que dissemos há pouco não foram as últimas desta existência? 

Como saber se o "até logo" com que nos despedimos de nossos amores, minutos atrás, não foi o último adeus que esta vida nos ofereceu? 

Por isso, despeça-se sempre com palavras de carinho e de otimismo. 

Aproveite todas as oportunidades que tiver para transmitir mensagens positivas a quem quer que seja. 

Dê bons exemplos e seja coerente em suas atitudes. 

Diga àqueles que lhe são caros, sempre que possível, o quanto os ama e como eles são importantes para você. 

Um dia, mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente, a partida será real e então, as lágrimas serão decorrentes da saudade e não do arrependimento pelas oportunidades desperdiçadas.
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na mensagem redigida por Elias Siqueir

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

FIDELIDADE E RELIGIÃO

MENSAGENS
  
Depois das primeiras prédicas de Jesus, respeito aos trabalhos ingentes que a edificação do reino de Deus exigia dos seus discípulos, esboçou-se na fraterna comunidade um leve movimento de incompreensão. Que? Pois a Boa Nova reclamaria tamanhos sacrifícios? Então o Senhor, que sondava o íntimo de seus companheiros diletos, os reuniu, uma noite quando a turba os deixara a sós e já algumas horas haviam passado sobre o pôr do Sol.
Interrogando-os vivamente, provocou a manifestação dos seus pensamentos e dúvidas mais íntimas. Após escutar-lhes as confidencias simples e sinceras, o Mestre ponderou:
- Na causa de Deus, a fidelidade deve ser uma das primeiras virtudes. Onde o filho e o pai que não desejam estabelecer, como ideal de união, a confiança integral e recíproca? Nós não podemos duvidar do Nosso Pai para conosco. Sua dedicação nos cerca os espíritos, desde o primeiro dia. Ainda não o conhecíamos e já ele nos amava. E, acaso, poderíamos desdenhar a possibilidade da retribuição? Não seria repudiarmos o titulo de filhos amorosos, o fato de nos deixarmos absorver no afastamento, favorecendo a negação?
Como os discípulos o escutassem atentos, bebendo-lhe os ensinos, o Mestre acrescentou:
- Tudo na vida tem o preço que lhe corresponde. Se vacilais receosos ante as bênçãos do sacrifício e as alegrias do trabalho, meditai nos tributos que a fidelidade ao mundo exige. O prazer não costuma cobrar do homem um imposto alto e doloroso? Quanto pagarão, em flagelações íntimas, o vaidoso e o avarento? Qual o preço que o mundo reclama ao gozador e ao mentiroso?
Ao clarão alvacento da Lua, como pai bondoso rodeado de seus filhinhos, Jesus reconheceu que os discípulos, diante das suas cariciosas perguntas, haviam transformado a atitude mental, como que iluminados por súbito clarão.
Timidamente, Tiago, filho de Alfeu, contou a história de um amigo que arruinara a saúde, por excessos nos prazeres condenáveis.
Tadeu falou de um conhecido que, depois de ganhar grande fortuna, se havia tornado avarento e mesquinho a ponto de privar-se do necessário, para multiplicar o número de suas moedas, acabando assassinado pelos ladrões.
Pedro recordou o caso de um pescador de sua intimidade, que sucumbira tragicamente, por efeito de sua desmedida ambição.
Jesus, depois de ouvi-los, satisfeito, perguntou:
- Não achais enorme o tributo que o mundo exige dos que se apegam aos seus gozos e riquezas? Se o mundo pede tanto, por que não poderia Deus pedir-nos lealdade ao coração? Trabalhamos agora pela instituição divina do seu reino na Terra; mas, desde quando estará o Pai trabalhando por nós?
As interrogativas pairavam no espaço sem resposta dos discípulos, porque, acima de tudo, eles ouviam a que lhes dava o próprio coração. Do firmamento infinito os reflexos do luar se projetavam no lençol tranqüilo do lago, dando a impressão de encantador caminho para o horizonte, aberto sobre as águas, por entre deslumbramentos de luz.
Enquanto os companheiros meditavam no que dissera Jesus, Tiago se lhe dirigiu, nestes termos:
- Mestre, tenho um amigo, de Corazim, que vos ouviu a palavra santificante e desejava seguir-vos; porém, asseverou-me que o reino pregado pela vossa bondade está cheio de numerosos obstáculos, acrescentando que Deus deve mostrar-se a nós outros somente na vitória e na ventura. Devo confessar que hesitei ante as suas observações, mas, agora, esclarecido pelos vossos ensinamentos, melhor vos compreendo e afirmo-vos que nunca esquecerei minha fidelidade ao reino!...
A voz do apóstolo, na sua confissão espontânea, se revelava tocada de um entusiasmo doce e amigo e o Senhor, aproveitando a hora para a semeadura divina, exclamou, bondoso:
- Tiago, nem todos podem compreender a verdade de uma só vez. Devemos considerar que o mundo está cheio de crentes que não entendem a proteção do céu, senão nos dias de tranqüilidade e de triunfo. Nós, porém, que conhecemos a vontade suprema, temos que lhe seguir o roteiro. Não devemos pensar no Deus que concede, mas no Pai que educa; não no Deus que recompensa, sim no Pai que aperfeiçoa. Daí se segue que a nossa batalha pela redenção tem de ser perseverante e sem trégua...
Nesse ínterim, todos os companheiros de apostolado, manifestando o interesse que os esclarecimentos da noite lhes causavam, se puseram a perguntar, com respeito e carinho:
- Mestre – exclamou um deles -, não seria melhor fugirmos do mundo para viver na incessante contemplação do reino?...
- Que diríamos do filho que se conservasse em perpétuo repouso, junto de seu pai que trabalha sem cessar, no labor da grande família? – respondeu Jesus.
- Mas, de que modo se há de viver como homem e como apostolo do reino de Deus na face deste mundo? – inquiriu Tadeu.
- Em verdade – esclareceu o Messias -, ninguém pode servir, simultaneamente, a dois senhores. Fora absurdo viver ao mesmo tempo para os prazeres condenáveis da Terra e para as virtudes sublimes do céu. O discípulo da Boa Nova tem de servir a Deus, servindo à sua obra neste mundo. Ele sabe que se acha a laborar com muito esforço num grande campo, propriedade de seu Pai, que o observa com carinho e atenta com amor nos seus trabalhos. Imaginemos que esse campo estivesse cheio de inimigos: por toda parte, vermes asquerosos, víboras peçonhentas, tratos de terra improdutiva. É certo que as forças destruidoras reclamarão a indiferença e a submissão do filho de Deus; mas, o filho de coração fiel a seu Pai se lança ao trabalho com perseverança e boa-vontade. Entrará em luta silenciosa com o meio, sofrer-lhe-á os tormentos com heroísmo espiritual, por amor do reino que traz no coração; abrirá uma senda, embora estreita, onde estejam em confusão os parasitos da Terra; cavará pacientemente, buscando as entranhas do solo, para que surja uma gota dágua onde queime um deserto. Do íntimo desse trabalhador brotará sempre um cântico de alegria, porque Deus o ama e segue com atenção.
- Qual a primeira qualidade a cultivar no coração – perguntou um dos filhos de Zebedeu -, para que nos sintamos plenamente identificados com a grandeza espiritual da tarefa?
- Acima de todas as coisas – respondeu o Mestre – é preciso ser fiel a Deus.
A pequena assembléia parecia altamente enlevada e satisfeita; mas, André inquiriu:
- Mestre, nestes últimos dias, tenho-me sentido doente e receio não poder trabalhar como os demais companheiros. Como poderei ser fiel a Deus, estando enfermo?
- Ouve- replicou o Senhor com certa ênfase. – Nos dias de calma, é fácil provar-se fidelidade e confiança. Não se prova, porém, dedicação, verdadeiramente, senão nas horas tenebrosas, em que tudo parece contrariar e perecer. O enfermo tem consigo diversas possibilidades de trabalhar para Nosso Pai, co0m mais altas probabilidades de êxito no serviço. Tateando ou rastejando, busquemos servir ao Pai que está nos céus, porque nas suas mãos divinas vive o Universo inteiro!...
André, se algum dia teus olhos se fecharem para a luz da Terra, serve a Deus com a tua palavra e com os ouvidos; se ficares mudo, toma, assim mesmo, a charrua, valendo-te das tuas mãos. Ainda que ficasses privado dos olhos e da palavra, das mãos e dos pés, poderias servir a Deus com a paciência e a coragem, porque a virtude é o verbo dessa fidelidade que nos conduzirá ao amor dos amores!
O grupo dos apóstolos calara-se, impressionado, ante aquelas recomendações. O luar esplendia sobre as águas silenciosas. O mais leve ruído traia o silêncio augusto da hora.
André chorava de emoção, enquanto os outros observavam a figura do Cristo, iluminada pelos clarões da Lua, deixando entrever um amoroso sorriso. Então, impulsionados por soberana força interior, disseram, quase a um só tempo:
- Senhor, seremos fieis!...
*
Jesus continuou a sorrir, como quem sabia a intensidade da luta a ser travada e conhecia a fragilidade das promessas humanas. Entretanto, do coração dos apóstolos jamais se apagou a lembrança daquela noite luminosa de Cafarnaum, aureolada pelo ensinamento divino. Humilhados e perseguidos, crucificados na dor e esfolados vivos, souberam ser fieis, através de todas as vicissitudes da Natureza, e, transformando suas angústias e seus trabalhos num cântico de glorificação, sob a eterna inspiração do Mestre, renovaram a face do mundo.

ECO

Título :Eco da Vida
Autor:Desconhecido
Data:01/09/2004
Fonte:O Mensageiro
MENSAGENS

Um pequeno garoto e seu Pai caminhavam pelas montanhas. De repente o garoto cai, se machuca e grita:
- Aai !!!
Para sua surpresa escuta a voz se repetir, em algum lugar da montanha:
- Aai !!!
Curioso, pergunta: - Quem é você ?
Recebe como resposta: - Quem é você ?
Contrariado, grita: - Seu covarde !!!
Escuta como resposta: - Seu covarde !!!
Olha para o pai e pergunta aflito: - O que é isso ?
O Pai sorri e fala: - Meu filho, preste atenção!!!
Então o pai grita em direção a montanha: - Eu admiro você!
A voz responde: - Eu admiro você!
De novo o homem grita: - Você é um campeão!
A voz responde: - Você é um campeão!
O garoto fica espantado sem entender nada. Então o pai explica:
As pessoas chamam isso de ECO, mas na verdade isso é a VIDA.
Ela lhe dá de volta tudo o que você diz ou faz. Nossa vida é simplesmente o reflexo das nossas ações. Se você quer mais amor no mundo, crie mais amor no seu coração. Se você quer mais responsabilidade da sua equipe, desenvolva a sua responsabilidade. Se você quer mais tolerância das pessoas, seja mais tolerante. Se você quer mais alegria no mundo, seja mais alegre.
Tanto no plano pessoal quanto no profissional, a vida vai lhe dar de volta o que você deu a ela. Sua vida não é uma coincidência, sua vida é a consequência de você mesmo!!!
  

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

QUANDO DEIXAMOS DE SER CRIANÇAS

ças?
Todos nascemos bebês, passamos pela fase da infância, alcançamos a juventude e amadurecemos, no contar dos anos.
O que é inusitado no processo é que, apesar de termos tido as mesmas experiências da inocência infantil, da ignorância de tantas coisas, ao nos tornarmos adultos, é como se esquecêssemos do que fizemos, do que éramos.
É de nos perguntarmos: quando foi que deixamos de ser crianças? Quando foi que assumimos o papel do adulto de carantonha, parecendo zangado com o mundo?
Quando foi que deixamos de apreciar algumas coisas simples, mas que nos davam tanto prazer?
Lembramos que, em dias chuvosos, fazíamos questão de andar pelas sarjetas inundadas, para sentir a água da chuva subindo além dos tornozelos.
E, ainda, tínhamos o capricho de ir chutando, para vê-la erguer-se, ofendida, e depois cair sobre nossos pés.
Fazíamos isso, a caminho da escola, sem nos importarmos em ficarmos com o uniforme molhado, na sala de aula. Valia o prazer da aventura.
E, era bom enfrentar no retorno ao lar, as ruas enlameadas, onde nos permitíamos ir deslizando, deslizando, não raro caindo.
Tudo era risos, divertindo-nos uns com os outros. Sabíamos que uma bela bronca nos aguardava ao chegar em casa. Mas, o importante era a diversão.
Coisas simples, de meninos do Interior, de anos passados.
Quando foi que esquecemos disso?
Quando foi que esquecemos de como era fácil, sem dinheiro algum, nos divertirmos?
Apostar corrida da casa ao armazém, com os irmãos. Apostar quem chegaria primeiro, quem conseguiria levar mais sacolas na sua bicicleta.
Bolinha de gude, coleção de figurinhas. A reunião com a turma antes do cinema do domingo, para trocar as figurinhas duplas, para se conseguir aquela bolinha de gude especial, colorida, bem lisinha, que o nosso amigo possuía.
E aguardávamos o dia certo do gibi chegar na banca. Quem tivesse dinheiro, comprava e lia com os amigos. Era importante porque algumas histórias eram divididas em episódios.
Não se poderia perder a continuação. Aprendíamos a emprestar, a dividir.
Por que será que agora, maduros, esquecemos de como é bom compartilhar, ceder?
Que o bom é ter amigos, muitos amigos para rir de coisas boas, para conversar do que se fez, da tolice que cometemos, sobre o negócio que não vai muito bem.
Quando foi que deixamos de ser crianças e começamos a guardar tudo para nós: o bom que vivemos, o mal que nos alcança?
Quando foi que esquecemos que fomos crianças?
*   *   *
Todos os dias, a vida nos brinda com suas surpresas. A natureza nos oferece o sol, o vento, o perfume das flores.
Também a chuva, o frio, a neve.
Alimentemos a criança que dormita em nós e utilizemos, ao menos uma parte do nosso dia, para as coisas importantes: admirar o nascer do sol, uma flor, dia a dia, desabrochando, abrindo a sua corola, pétala a pétala.
Os pássaros em algazarra nas árvores, o gato que se espreguiça ao sol, ainda sonolento.
A borboleta que visita nosso jardim, o beija-flor em seu voo ligeiro, recolhendo o néctar das flores.
Comecemos hoje a despertar a nossa criança, e verificaremos como seremos muito mais felizes, mesmo que as tarefas sejam muitas, que a conta bancária esteja quase no vermelho, que a enfermidade nos abrace.
Retornemos a sentir prazer nas coisas simples, nas coisas grandiosas com que Deus nos brinda a cada dia.

PRECOCIDADE DAS CRIANÇAS


 
É bastante comum ouvir-se falar da precocidade das crianças de hoje em dia.
Impressiona a facilidade com que dominam as novas tecnologias.
Também é notável o modo pelo qual rompem tabus e preconceitos.
Diante de seres tão independentes e dinâmicos, pais e educadores costumam quedar perplexos.
Há nos jovens da atualidade algo de diferente.
Não se trata de mera rebeldia, sempre presente, em algum grau, nas novas gerações.
É todo um novo sistema de valores que parece desabrochar.
A Espiritualidade Superior noticia que realmente surge no mundo uma nova geração.
Trata-se de Espíritos que há muito não reencarnavam.
E mesmo de alguns que vêm de mundos distantes para aqui renascer.
Sua chegada é motivo de alegria e cuidados.
Alegria, pois trazem a tarefa de promover o progresso do planeta.
Dotados de grande intelectualidade, trazem novos conceitos de vida que desejam colocar em prática.
Alguns ainda são ricos de sublime moralidade.
A necessidade de cuidados deriva da própria qualidade desses seres.
Eles são independentes e altivos.
Renascem com o propósito de reformular os valores sociais e aprimorá-los.
Por conta disso, não são submissos e conformados.
Com eles, não adianta o discurso da mera proibição.
De nada resolve exigir que obedeçam aos mais velhos.
Eles precisam ser convencidos com bons argumentos.
Gritos e violências nunca foram métodos educativos eficazes.
Mas com essas crianças especiais são ainda mais infelizes.
Elas tratam os adultos de igual para igual.
Não aceitam punições e reproches e nem regras de conduta sem sentido.
É preciso conquistar-lhes a admiração e o respeito.
O fato de serem a promessa de um futuro melhor não autoriza que sejam abandonadas à própria sorte.
Seus pais são depositários de um tesouro Divino e darão conta do que fizerem.
Necessitam esmerar-se em dar bons exemplos e formação intelectual e moral adequadas porque a influência do lar é fundamental na formação do caráter.
Espetáculos de violências e indignidades podem causar grande prejuízo, mesmo em um Espírito mais avançado.
Afinal, ao se tornar adulto, ele terá primeiro de superar os traumas pelos quais passou.
Caso os prejuízos sejam muito grandes, talvez não consiga desempenhar a contento suas tarefas.
Inúmeros Espíritos de alto gabarito estão retornando às lutas terrestres.
Eles são a promessa de um mundo mais justo e fraterno.
Importa cuidar bem deles e preparar-lhes o caminho.
Orientá-los, para que não se percam na rebeldia vã e nem na libertinagem.
Cercá-los de afeto, a fim de que cresçam seguros e equilibrados.
Pense nisso.

CONVERSA ENTRE DIVALDO E BEZERRA DE MENEZES

Mansão Do Caminho
CONVERSA ENTRE DIVALDO FRANCO E BEZERRA DE MENEZES:
Um dia, perguntei ao Dr. Bezerra de Menezes, qual foi a sua maior felicidade quando chegou ao plano espiritual. Ele respondeu-me:
— A minha maior felicidade, meu filho, foi quando Celina, a mensageira de Maria Santíssima, se aproximou do leito em que eu ainda estava dormindo, e, tocando-me, falou, suavemente:
— Bezerra, acorde, Bezerra!
Abri os olhos e vi-a, bela e radiosa.
— Minha filha, é você, Celina?!
— Sim, sou eu, meu amigo. A Mãe de Jesus pediu-me que lhe dissesse que você já se encontra na Vida Maior, havendo atravessado a porta da imortalidade. Agora, Bezerra, desperte feliz.
Chegaram os meus familiares, os companheiros que­ridos das hostes espíritas que me vinham saudar. Mas, eu ouvia um murmúrio, que me parecia vir de fora. Então, Celina, me disse:
— Venha ver, Bezerra.
Ajudando-me a erguer-me do leito, amparou-me até uma sacada, e eu vi, meu filho, uma multidão que me acenava, com ternura e lágrimas nos olhos.
— Quem são, Celina? — perguntei-lhe — não conheço a ninguém. Quem são?
— São aqueles a quem você consolou, sem nunca perguntar-lhes o nome. São aqueles Espíritos atormentados, que chegaram às sessões mediúnicas e a sua palavra caiu sobre eles como um bálsamo numa ferida em chaga viva; são os esquecidos da terra, os destroçados do mundo, a quem você estimulou e guiou. São eles, que o vêm saudar no pórtico da eternidade…
E o Dr. Bezerra concluiu:
— A felicidade sem lindes existe, meu filho, como decorrência do bem que fazemos, das lágrimas que enxuga­mos, das palavras que semeamos no caminho, para atapetar a senda que um dia percorreremos.
(Suely Caldas Schubert)
Do Livro: “O Semeador de Estrelas”