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sexta-feira, 29 de maio de 2015

A MORTE EM FAMÍLIA

A MORTE EM FAMÍLIA
Richard Simonetti

1 – O pai permanece em estado vegetativo há vários anos. A família sofre com essa situação, principalmente a mãe. Então, quem estaria pagando por isso: o enfermo ou a família?
                      Todos estão envolvidos em resgate. O pai numa prisão, o corpo. Os familiares, carcereiros no bom sentido, encarregados de dar-lhe assistência. Importante que o façam de boa vontade, com dedicação, sem questionamentos. Assim estarão liberando-se dos comprometimentos do passado e construindo o futuro de bênçãos.
2 –   Pouco tempo após a morte do marido, a viúva arranjou um namorado. Familiares do falecido revoltaram-se, considerando esse comportamento uma falta de respeito. Como agir diante de uma situação dessa natureza?
                      Aurélian Scholl (1833-1902), famoso escritor francês, dizia: os matrimônios têm sua lua-de-mel; a viuvez também. A duração de uma lua-de-mel depende da extensão da paixão. A viuvez, como estado de espírito, só é duradoura quando o relacionamento com o cônjuge transcendeu da paixão para o amor, sustentado por legítima afinidade. Se isso não ocorre, é inútil impor prazo para alguém tirar o luto.
3 –   O que podem fazer os filhos diante do pai que, com setenta anos, após enviuvar, parece ter assumido uma segunda adolescência, interessado apenas em festas e bailes, bebidas e namoricos?
                      Quando o Espírito não aproveita as oportunidades de edificação da jornada humana, marcando passo no caminho da evolução, a adolescência e a velhice se confundem, em exercício de inconsequência. O adolescente deve ser disciplinado pelos pais. Quanto ao ancião, é esperar que a Vida o faça, senão aqui, no Além, botando juízo em sua cabeça.
4 –   Quando um homem desencarna e a viúva casa-se novamente, o morto fica infeliz? Ele vê o que acontece?
                      Depende. Se for alguém compreensivo e amigo, preocupado com o bem-estar da família, certamente há de desejar que a esposa refaça sua vida afetiva com um companheiro que a ajude a enfrentar os desafios da existência. Se for do tipo egoísta e possessivo, vai aborrecer-se e até tentar interferir, causando-lhe embaraços.
5 –   Enquanto encarnado ele dizia que voltaria, após a morte, para atormentar a esposa. É possível?
                      Pouco provável que aconteça. Se essa era sua intenção legítima, certamente está fazendo um estágio depurador no umbral, o purgatório para onde são remetidos aqueles que cultivam más intenções.
6 –   Sou casada em segundas núpcias. Como ficaremos os três no mundo espiritual?
                      Prevalecerá a união com o cônjuge em relação ao qual teve maior afinidade, desde que ambos não se enrosquem em regiões umbralinas e se habilitem a viver em comunidades saudáveis no Plano Espiritual, tipo Nosso Lar, a cidade no Além descrita por André Luiz no livro homônimo, psicografia de Francisco Cândido Xavier.
7 –   Sempre estarei com meus pais, irmãos, sobrinhos, cunhados, tios? Reencarnaremos juntos?
                      Acima da família humana, transitória, há a família espiritual. A primeira atende às convenções humanas e ao sangue; a segunda atende à afinidade. Membros da família humana que guardem afinidade entre si tenderão a perpetuar seu relacionamento, ajudando-se mutuamente nos caminhos da evolução, em sucessivas reencarnações, ainda que ocorra mudança de posição quanto ao sangue. O pai de hoje poderá ser o irmão ou filho de amanhã… As alternativas são numerosas, sempre atendendo às necessidades de cada grupo.
8 –   Mudei de cidade após a morte de meu marido. Será que ele conseguirá encontrar-me?
                      Depende de como foi o relacionamento de ambos no lar. Se tumultuado por desentendimentos e brigas, talvez ele prefira manter distância. Se houve amor e legítimo entendimento, não se preocupe. Ele a encontrará, guiado pela infalível bússola do coração.

O MUNDO EM NOSSAS MÃOS

    O Mundo em Nossas Mãos

    No esforço de manter-se ocupado, há algo muito importante:

    Não deixe passar um só dia sem o emprenho de aprender.

    Nossa mente, se assim posso dizer, tem propriedades elásticas. Quanto mais coisas botamos dentro dela, mas cresce, mais poderosa fica, mais capaz.

    E quanto mais aprendemos, melhor compreendemos a vida, mais equilibrados ficamos, mais felizes vivemos.

    Sócrates, que foi um grande sábio da Antiguidade dizia :

    Só ha um mal - a ignorância.

    Só há um bem - o conhecimento.

    Ele queria dizer que os males em que nos envolvemos nascem sempre de não sabermos como lidar com a Vida.

    Mais exatamente, nascem de nossa ignorância.

    Analisando friamente a questão você fatalmente reconhecerá que se conhecesse melhor as coisas, se tivesse uma visão mais clara sobre a Vida, certamente não estaria numa prisão.

    Por isso Sócrates afirma que o único bem é o conhecimento.

    Quem adquire conhecimento fica sabendo o que é realmente importante em favor de sua felicidade.

    Nessa busca de conhecimento há um amigo muito especial, disposto a nos acompanhar onde estivermos, até na prisão.

    Está sempre pronto a nos atender e ensinar, a qualquer momento.

    Nunca se cansa.

    Nunca se aborrece.

    Nunca se recusa.

    Esse amigo de todas as horas é o livro.

    Com ele aprendemos as coisas mais interessantes, aumentamos a nossa capacidade de pensar, viajamos...

    Nesse momento, enquanto lê estas linhas, você não está na prisão. Em pensamento, livre como um pássaro, viaja comigo no maravilhoso país das idéias.

    Talvez você não goste de ler.

    Não está sozinho.

    Muitas pessoas jamais abriram um livro.

    Não sabem o que estão perdendo...

    Mas não é tão difícil cultivar a leitura.

    Basta criar o hábito.

    Hábito é aquilo que a gente está acostumado a fazer.

    Fazemos automaticamente, com facilidade, sem esforço...

    Por exemplo:

    Falar mal da vida alheia.

    Muita gente gosta disso. Basta se reunirem duas ou mais pessoas e dali a pouco estão fofocando.

    É um mau hábito.

    Não traz nenhum proveito. Ao contrário, só gera confusão, desentendimento, discórdia, brigas...

    Ler é um bom hábito.

    No começo é meio enjoado, cansativo. A gente não consegue prestar atenção, tem dificuldade para entender.

    Mas se insistirmos, lendo todo dia um pouco, acabaremos gostando, e leremos cada vez mais, e entenderemos cada vez melhor.

    Experimente.

    Em princípio faça como um dever.

    Assuma perante você mesmo um compromisso:

    Ler, todos os dias, algumas páginas de um bom livro, aquele que lhe ofereça conhecimento.

    Aos poucos você começará a ler mais páginas e haverá de gostar.

    Verá que é muito bom.

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CLONAGEM

    Clonagem

    1 – Causou sensação a experiência desenvolvida pelo embriologista britânico, Ian Wilmut, que conseguiu obter o clone de uma ovelha, a partir de uma célula extraída de sua mama. O homem está invadindo os domínios de Deus?

    Só Deus é capaz de criar a vida. O homem está apenas descobrindo outros caminhos para que ela se manifeste.

    2 – Esses experimentos poderão culminar com a clonagem de seres humanos. Representantes de várias religiões opõem-se enfaticamente. O que tem a dizer o Espiritismo?

    Allan Kardec deixou bem claro que o Espiritismo caminharia com a Ciência. Não há por que opor-se às suas conquistas, porquanto nada é descoberto ou desenvolvido sem o consentimento de Deus. Não raro, grandes avanços científicos contestados, em princípio, pelos teólogos, ocorrem com o concurso dos poderes espirituais que nos governam.

    3 – A clonagem não seria uma subversão da ordem divina?

    Subversão da ordem divina é criança subnutrida, cidades bombardeadas, atos terroristas, doentes sem tratamento, trabalhadores sem emprego. Subversão da ordem divina será sempre a forma como tratamos aspessoas, não como venham a nascer.

    4 – Como acontece a reencarnação na clonagem?

    Sabemos que o retorno à carne pode ocorrer de duas formas: reencarnação natural, em que o Espírito é atraído pelo campo vibratório que se forma durante a comunhão sexual; e reencarnação planejada, em que há a ação de mentores espirituais. Podemos dizer, segundo esse princípio, que a clonagem inviabiliza a reencarnaçãonatural, já que nela não ocorre o acasalamento.

    5 – Então, Dolly desencarnada, ou o princípio espiritual que a anima, teria sido conduzida à vida física por cientistas do Além, interessados em prestigiar a experiência?

    Creio que toda clonagem bem-sucedida será sempre o resultado desse concurso, já que não se trata de umareencarnação natural. Oportuno destacar que Wilmut tentou a clonagem com cento e cinqüenta e seis células. Somente uma desenvolveu-se, dando origem a Dolly, talvez porque, dentre outros fatores, somente ela contou com a indispensável presença de uma "alma", o princípio espiritual conduzido por técnicos do Além.

    6 – Em se tratando da clonagem de seres humanos, teríamos um xerox de gente, absolutamente igual?

    Fisicamente, sim. Quanto à sua personalidadecaráterinteligência, índole, e tudo o que distingue um ser humano de outro, seria, invariavelmente, diferente, guardando conformidade com o estágio evolutivo e a maneira de ser do Espírito reencarnante.

    7 – É assustador imaginar alguém filho de si mesmo, sob o ponto de vista biológico, alguém sem pai e mãe…

    Esse ser humano não se apresentará como mera peça de laboratório. Será uma criança igual às demais, frágil e dependente, a exigir o concurso de pessoas que cuidem dela. Terá pais adotivos, sem nenhuma perda no relacionamento familiar. A afetividade é decorrente da convivência, não do sangue. Qualquer pessoa que adotou uma criança sabe disso.

    8 – Não há o risco de abusos que serão cometidos por gente inescrupulosa, disposta a tirar proveito das técnicas de clonagem?

    Isso é típico da natureza humana. Liberou-se o átomo e fizeram bombas atômicas; criou-se a microbiologia e vieram as armas bacteriológicas; inventou-se o avião e surgiram os bombardeios. Mas o saldo é sempre favorável, pelos benefícios que os avanços científicos promovem. O mesmo acontecerá com a clonagem, algo assustador hoje, mas que será prática rotineira nos séculos futuros, atendendo a cuidadoso planejamento que envolverá Espíritos encarnados e desencarnados.

    Ainda a Clonagem
    1 – Se vários indivíduos nascem de células de um mesmo organismo, absolutamente iguais, como fica o carmade cada um, envolvendo as condições físicas e intelectuais?

    Gêmeos univitelinos, que nasceram de um mesmo óvulo, são absolutamente iguais. Não obstante, ao longo daexistência apresentam diferenças marcantes na maneira de ser, na personalidade, na inteligência, no caráter, e também no tocante à saúde. Haverá o mais frágil, bem como o mais suscetível a doenças graves. Aqui entra a condição espiritual e o carma. Algo semelhante ocorrerá com os clones, na citada condição.

    2 – Há alguma relação entre a gênesis bíblica, quando Jeová tirou uma costela de Adão para criar Eva, e os clones?

    Temos a fantasia transformada em realidade. Adão e Eva são figuras mitológicas que simbolizaram a Criação e anteciparam o futuro. E há uma diferença fundamental, que já comentamos: o cientista não cria nada. Apenas faz reproduções.

    3 – No filme "Os Meninos do Brasil", cientistas querem reproduzir Hitler, a partir da clonagem de células preservadas . Procuram até criar mais ou menos as mesmas circunstâncias e experiências por que passou o ditador na infância, moldando-lhe a personalidade. Isso é possível?

    Para que isso ocorresse seria necessário que os Espíritos que encarnam em clones fossem absolutamente iguais ao doador, o que é impossível. Cada Espírito tem a sua "impressão digital", as peculiaridades que o distinguem.

    4 – Imaginemos que o próprio Hitler reencarnasse nessa clonagem. O mesmo Espírito, num corpo absolutamente igual, produziria os mesmos estragos?

    Impossível, por vários fatores. Seriam diferentes as circunstâncias, a época, as experiências pessoais, a convivência. Sobretudo, haveria a carga cármica extremamente pesada, que certamente lhe imporia sérias limitações físicas e intelectuais.

    5 – Um projeto dessa natureza não poderia favorecer uma imortalidade física? Sempre que o indivíduo falecesse uma célula preservada seria aproveitada para imediata reencarnação do próprio…

    Isso talvez fosse possível a um Espírito muito evoluído, capaz de sobrepor-se às dificuldades e problemas que envolvem a morte e o nascimento. Mas, em tal estágio, ele não teria nenhum interesse em perenizar a permanência na carne. Estaria "noutra", como dizem os jovens.

    6 – Uma senhora demonstra grande interesse na clonagem do filho que pereceu num acidente. Não seria possível, assim, tê-lo de retorno?

    Em teoria, sim. Na prática seria complicada uma experiência dessa natureza. Prevaleceria, não a vontade da mãe, mas o livre-arbítrio do filho, bem como sua vinculação a outros compromissos e necessidades.

    7 – A clonagem de seres humanos é fascinante, mas ao mesmo tempo envolve problemas e dúvidas. Não seria melhor deixar para o futuro, quando o Homem souber lidar melhor com o assunto?

    Não se pode deter a Ciência. A busca de conhecimento é característica fundamental do Homem, ainda que muitas vezes proceda como um aprendiz de feiticeiro, sem domínio sobre suas próprias conquistas, em virtudede seu subdesenvolvimento moral.

    8 – A clonagem será disseminada no futuro?

    A Ciência aprenderá a lidar melhor com as técnicas que envolvem a clonagem, tornando-a mais simples e segura. Quanto à sua disseminação, dependerá dos programas da Espiritualidade. Como já comentamos, parece-nos que não há clonagem sem o concurso de especialistas do Além.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Uma Reunião Espírita - Vista do Mundo Espiritual

DISSE-NOS O MESTRE-NÃO VIM TRAZER PAZ À TERRA,MAS A ESPADA

jesus e a espada

JESUSLUZ DO MUNDO

DISSE-NOS O MESTRE: “NÃO VIM TRAZER PAZ À TERRA, MAS A ESPADA”

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A espada simbólica
“Não cuideis que vim trazer a paz à Terra; não vim trazer a paz, mas a espada.” – Jesus.
(Mateus, 10:34.)

Inúmeros leitores do Evangelho perturbam-se ante essas afirmativas do Mestre Divino, porquanto o conceito de paz, entre os homens, desde muitos séculos foi visceralmente viciado. Na expressão comum, ter a paz significa haver atingido garantias exteriores, dentro das quais possa o corpo vegetar sem cuidados, rodeando-se o homem de servidores, apodrecendo na ociosidade e ausentando-se dos movimentos da vida.
Jesus não poderia endossar tranquilidade desse jaez, e, em contraposição ao falso princípio estabelecido no mundo, trouxe consigo a luta regeneradora, a espada simbólica do conhecimento interior pela revelação divina, a fim de que o homem inicie a batalha do aperfeiçoamento em si mesmo. O Mestre veio instalar o combate da redenção sobre a Terra. Desde o seu ensinamento primeiro, foi formada a frente da batalha sem sangue, destinada à iluminação do caminho humano. E Ele mesmo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos.
Há quase vinte séculos vive a Terra sob esses impulsos renovadores, e ai daqueles que dormem, estranhos ao processo santificante!
Buscar a mentirosa paz da ociosidade é desviar-se da luz, fugindo à vida e precipitando a morte.
No entanto, Jesus é também chamado o Príncipe da Paz.
Sim, na verdade o Cristo trouxe ao mundo a espada renovadora da guerra contra o mal. Constituindo em si mesmo a divina fonte de repouso aos corações que se unem ao seu amor; esses, nas mais perigosas situações da Terra, encontram, nEle, a serenidade inalterável. É que Jesus começou o combate de salvação para a Humanidade, representando, ao mesmo tempo, o sustentáculo da paz sublime para todos os homens bons e sinceros.
Fonte: Extraído do livro “Caminho, Verdade e Vida”, de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Emmanuel. Federação Espírita Brasileira.

terça-feira, 26 de maio de 2015

DIVALDO FRANCO E IRMÃ DULCE

DIVALDO FRANCO E IRMÃ DULCE - uma linda amizade



Divaldo voltava do IPASE, onde trabalhou durante a sua juventude e maturidade, quando observou que uma freira, muito franzina, tentava carregar nos seus braços um mendigo doente nas ruas da cidade do Salvador.
Na época, bem jovem e forte, o nosso irmão apresentou-se à religiosa, oferecendo-se para carregar o pobre doente.
A freira também apresentou-se, dizendo chamar-se irmã Dulce, e contou-lhe que sonhava construir um grande hospital para abrigar esses doentes abandonados nas ruas. Nosso irmão, então, carregou o doente que estava tuberculoso, com fortes hemoptises e levou-o a um barracão seguindo as orientações de irmã Dulce.
Passado algum tempo, nossa irmã telefonou a Divaldo e foi o início de uma grande amizade.
A boa religiosa, contou-lhe, certa feita, que um cantor famoso oferecera uma expressiva doação em dinheiro para as obras do Hospital, numa época de sérias dificuldades. E assim os dois amigos dialogavam sempre sobre as bênçãos da beneficência.
Divaldo sempre visitava a freira amiga, mesmo depois da fundação do Hospital Santo Antonio, que ela idealizou e fundou.
Fala-nos sempre sobre o carinho que irmã Dulce nutria pelos doentes, a ponto de trocar as camas ortopédicas de presente para seu uso particular, por mais leitos no hospital.
Divaldo conta que para a freira, a caridade tinha urgência. Quando faltavam quartos, internava os doentes em qualquer outro cômodo do hospital, pois achava que era melhor do que deixá-los na rua sofrendo privações.
Em uma oportunidade, a Mansão do Caminho recebeu mais de 2.000 panetones e ofereceu parte deles à irmã Dulce para que ela distribuísse aos seus doentes.
Assim são os caminhos da fraternidade, da solidariedade, da amizade. Duas almas de grande evolução, com o mesmo ideal de amor, travaram belíssima e sólida amizade, dialogando sobre os pobres e aflitos do mundo, procurando amenizar suas dores e padecimentos através da ação da caridade.
Professavam religiões diferentes, mas o amor a Jesus e o ideal de dedicação ao próximo os irmanava.

AS VIBRAÇÕES MARIANAS DE MAIO E A ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO

As vibrações marianas de maio e a abolição da escravidão

O livro Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho, do Espírito Humberto de Campos, destaca farto material sobre os rumos tomados pela reengenharia espiritual visando às conquistas da maturidade da civilização brasileira.
De imediato um ponto ressalta aos olhos:
[…] A própria princesa Isabel, cujas tradições de nobreza e bondade jamais serão esquecidas no coração do Brasil, viera ao mundo com a tarefa definida no trabalho abençoado da abolição. […]¹
Então, renasce D. Isabel em 29 de julho de 1846, cujo Espírito era marcado por profunda religiosidade. Católica extremosa, mantinha-se fiel às suas crenças, independentemente das críticas que sofria, principalmente pelas liberdades de imprensa.
É assim que, em 8 de dezembro de 1868, em romaria, a princesa visita a Basílica de Nossa Senhora da Aparecida, onde em prece promete que daria à imagem da santa uma coroa de ouro, cravejada de diamantes e rubis, e um manto azul ricamente adornado, se ela concretizasse o seu ideal cristão de libertar os escravos do Brasil.
Veja, querido leitor, como a força do planejamento reencarnatório, 20 anos antes da abolição, falava mais alto no coração de Sua Alteza…
Um ano depois desta promessa religiosa, Bezerra de Menezes lança o seu opúsculo A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem danos para a nação.2 Repleto de espírito de liberdade, ele inicia o seu abençoado trabalho dirigindo-se Ao Público:
As questões sociais, do mesmo modo que as políticas, não podem ser convenientemente resolvidas senão pela discussão. É do choque das ideias que sai a luz da verdade… Esta consideração me deu ânimo e coragem para inscrever o meu obscuro nome no livro glorioso dos que pleiteiam a causa da emancipação. (Op. cit., p. 3.)
Discussão aberta, a falange de Ismael, dos dois lados da vida, se movimenta pela boa causa. Aproveitando- se da viagem do imperador Pedro II à Europa, D. Isabel, aos 24 anos, assume pela primeira vez a regência. Neste período, ela sanciona a Lei do Ventre Livre, a 28 de setembro de 1871. Sabia a princesa que seu ato não era ainda o ideal perfeito, mas, inspirada por Ismael, garantia ao país “a extinção gradual do cativeiro, mediante processos pacíficos”, como registra o Espírito Humberto de Campos (Op. cit., p. 160).
Novos passos são dados em direção à libertação… Em 3 de janeiro de 1872, o barão de Drummond3 adquiriu as terras da Imperial Quinta do Macaco com o propósito de urbanização e criação do Bairro de Vila Isabel – em uma bela homenagem à nossa Princesa. Para isso foi fundada a Companhia Arquitetônica, com a colaboração de Bezerra de Menezes, sócio neste empreendimento. Ali, naquelas terras, seria criado o Boulevard 28 de Setembro – em clara homenagem à Lei do Ventre Livre –nos moldes da progressista Paris, que desembocaria na Praça 7 de Março – data da criação do Gabinete abolicionista do Visconde do Rio Branco, hoje conhecida por Praça Barão de Drummond. As ruas transversais teriam nomes de abolicionistas.
Como se vê, Bezerra de Menezes concentrava e materializava a vontade libertadora do Alto. Faltava pouco, muito pouco, para a realização dos ideais abolicionistas.
É, então, que Ismael se reúne com o Cristo – o Senhor de todas as esperanças! – para ouvir suas deliberações: “– Ismael, o sonho da liberdade de todos os cativos deverá concretizar-se agora, sem perda de tempo” – escreve Humberto de Campos (Op. cit., p. 162).
Enfim chega o abençoado mês de maio com suas luzes, perfumes e orações, rarefazendo a psicosfera terrestre, como constata o Espírito Humberto de Campos:4
[…] as preces da Terra misturam–se com as vibrações do Céu, em homenagem à Mãe do Salvador, no trono de sua virtude e de sua glória. Se o planeta da lágrima se povoa de orações e de flores, há roseiras estranhas, florindo nas estradas prodigiosas do paraíso, nos altares iluminados de outra natureza, e Maria, sob o dossel de suas graças divinas, sorri piedosamente para os deserdados do mundo e para os infelizes dos espaços, derramando sobre os seus corações as flores preciosas de sua consolação. […]
[…] Dos altares terrestres e dos corações que se desfazem nas ânsias cristãs, no planeta das sombras, eleva-se uma onda de amor, em volutas divinas e a Rosa de Nazaré estende aos sofredores o seu manto divino, constelado de todas as virtudes… […]4
Em 3 de maio de 1888, na “Fala do Trono”, a Princesa Regente, no Senado, se posiciona com firmeza sobre a abolição: “Confio em que não hesitarei de apagar do direito pátrio a única exceção que nele figura”. Então, o novo presidente do Conselho de Ministros João Alfredo Correia de Oliveira assegurou a aprovação da Lei 3.353, de 13 maio de 1888. A Princesa Isabel, em estado de êxtase, ratifica a Lei Áurea. Estava feita a vontade do Alto. O Brasil assumia a sua maioridade espiritual. Comenta o Espírito Humberto de Campos, em Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho:
[…] Junto do espírito magnânimo da princesa, permanece Ismael com a bênção da sua generosa e tocante alegria. Foi por isso que [José do] Patrocínio, intuitivamente, no arrebatamento do seu júbilo, se arrastou de joelhos até aos pés da princesa piedosa e cristã. […] (Op. cit., p. 163.)
Dias antes, quando se preparava a Lei Áurea e ares benfazejos sopravam pela pátria anunciando que a liberdade não tardaria, surgiu uma subscrição popular, patrocinada pelo professor do Colégio Pedro II, Luis Pedro Drago, 5 para a confecção da pena, de ouro 18 quilates e cravejada de 27 diamantes, que assinaria o magno documento. É assim que políticos, empresários, populares e até escravos fugitivos e alforriados do Quilombo do Leblon colaboraram financeiramente para a materialização da pena que representa o início de um sonho de cidadania e de igualdade. Ela fala de um Brasil que passou a incorporar as massas excluídas. Todos queriam contribuir. No total, nas muitas listas, são mais de três mil assinaturas.
É maravilhoso ver na lista nº 84 a assinatura do fundador de Reformador (1883) e da Federação Espírita Brasileira (1884), o fotógrafo português A. Elias da Silva.6 (Ver fotocópia 1.)5 Aliás, era abreviando o nome Augusto (A.) que ele assinava e se apresentava em seu cartão profissional. 6 (Ver fotocópia 2.)7
Hoje essa pena se encontra no Museu Imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro.
O surpreendente, é que foi dado a um espírita, amigo de Bezerra de Menezes, o professor e político Luis Pedro Drago, para fazer a oferta da pena à Princesa Isabel, acompanhado de um discurso que retratasse todo o sentimento da pátria brasileira. Esse documento, dada a sua beleza e grandeza, foi gravado em uma placa de prata brasonada e se encontra no Museu do Outeiro da Glória.
Ressalto ainda que o professor Luis Pedro Drago foi o padrinho de casamento da segunda filha de Bezerra de Menezes, de nome Ernestina (Zizinha), com o Sr. João Mendes, na Igrejinha de São Cristóvão, a 11 de janeiro de 1890, juntamente com o primo do Dr. Bezerra, o engenheiro João Batista de Maia Lacerda, futuro vice-presidente da Federação Espírita Brasileira. Acompanhemos algumas palavras do seu discurso inspiradíssimo:
À Vossa Alteza Imperial manda-me o povo agradecido impetrar a graça de aceitar esta pena, como glorioso instrumento histórico e troféu inteiramente popular, a qual deve assinar a lei nº 3.353 de 13 de Maio de 1888, que elimina o nome escravo da nação brasileira! E com ela, Senhora, algumas palavras, que devem recordar sempre a mais brilhante data, que será inscrita entre os acontecimentos de maior vulto da vida política, social e moral de um povo na história da pátria! … E vós, Senhora, a quem a pátria deve o maior cometimento, porque foi ele firmado não só por um princípio altamente religioso, mas ainda eminentemente humanitário, consentireis que o vosso povo vos aclame: D. Isabel, a Redentora. E assim, Senhora, vivereis na história com essa coroa radiante das flores da redenção transpondo desde agora o vestíbulo da glória que vos conduzirá ao templo da Imortalidade. O Orador, Luis Pedro Drago.
E, como diz o ditado: “promessa é dívida!”, a Princesa Isabel não deixou de cumprir a sua promessa à Mãe de Jesus, por ter plenamente realizado o seu elevado compromisso reencarnatório. E, assim, em oração, visita o santuário de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo, a 6 de novembro de 1888, agradecendo à Virgem as bênçãos da vivência fraterna de todas as raças na Pátria do Evangelho de seu Filho.
Referências:
1 XAVIER, Francisco C. Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho. Pelo Espírito Humberto de Campos. 34. ed. 6. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 26, O movimento abolicionista.
2 MENEZES, Dr. Adolfo Bezerra. A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem danos para a nação. Typ. Progresso, Rua de Gonçalves Dias, nº 60, Rio de Janeiro, 1869.
3 Médium psicógrafo, sonambúlico e de outras espécies. Ele frequentava reuniões espíritas na casa de Bezerra. Ver MENEZES, Bezerra. Loucura sobre novo prisma. 14. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. cap. 2, p. 116.
4 XAVIER, Francisco C. Novas mensagens. Pelo Espírito Humberto de Campos. 14. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2014. cap. 12, p. 87 e 88. .
5 MILLAN, Cleusa de Souza.; MILLAN, José Henrique. A pena de ouro da Lei Áurea e o elemento servil no Brasil. Prefácio: Martins, Jorge Damas. Rio de Janeiro: Ed. Oficina do Livro, 2013. p. 325, 292, respectivamente.
6 Augusto Elias da Silva casou com a Sra. Mathilde Maria das Dores Pinheiro. A Proclama foi lida na capela Imperial, em 21 de maio de 1876 (O Apóstolo, nº 58, 24 de maio de 1876, p. 4, e O Globo, nº 144, 25 de maio de 1876, p. 2).
7 KOSSOY, Boris. Dicionário histórico- fotográfico brasileiro. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. p. 293.