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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O MUNDO NÃO É MAIS O MESMO

    O Mundo Não é Mais o Mesmo

    Quando uma catástrofe de grandes proporções assume as manchetes dos meios decomunicação de massa, o povo declara, indignado:
    “O mundo não é mais o mesmo!”
    No entanto, a cada momento que um cidadão melhora, com sua ação, uma situação qualquer, pode-se dizer que o mundo não é mais o mesmo:
    Está melhor.
    Quando uma pessoa adota uma criança sem pais; quando alguém de boa vontade dedica seu tempo a um idoso desvalido; quando pessoas de bem visitam presídios e levam afeto a delinqüentes infelizes, podemos dizer que o mundo está um pouco melhor.
    Quando voluntários se dedicam a crianças que não têm acesso à arte, à cultura, à escola, o mundo não é mais o mesmo, está melhor.
    E quando um homem doa seu tempo e seus conhecimentos em prol da construção da liberdade de povos que sequer falam a sua língua, podemos afirmar com certeza:
    O mundo está bem melhor.
    Pouco se ouvia falar do cidadão Sérgio Vieira de Mello até o dia em que um carro-bomba explodiu sob a janela de seu escritório, no Iraque.
    No entanto, aquele homem singular tinha um ideal bem definido, ao qual dedicou trinta e cinco anos de sua curta jornada terrestre.
    Era um homem que se compadecia com a desgraça do próximo.
    Por sua diplomacia, firmeza e doçura, foi enviado pela organização das nações unidas para ajudar na solução dos conflitos deixados no Iraque após a invasão norte-americana.
    Ele atuou em Kosovo, Timor Leste, Moçambique, Sudão, Chipre, Peru, sempre com o intuito de promover a paz e a concórdia entre povos em conflito.
    A cada uma das suas ações de paz, certamente o mundo ficava um pouco melhor.
    ...Um homem..., uma vida..., um ideal.
    ...O mundo não é mais o mesmo...
    As luzes do palco físico se apagavam lentamente para aquele trabalhador incansável...
    Seu corpo físico estava ferido e preso entre os escombros, mas a dor não impedia aquele construtor de um mundo melhor de pensar em seus amigos e companheiros de jornada...
    bombeiro que tentou salvá-lo, “disse que em momento algum, mesmo em suas últimas horas, o brasileiro mencionou que era Sérgio Vieira de Mello, funcionário veterano da ONU e o homem escolhido pelo secretário-geral da organização, Kofi Annan, para liderar a missão no Iraque.”
    Disse, ainda, que enquanto conversava com Sérgio para mantê-lo consciente, ele perguntava:
    Como estão todos? Há quantas pessoas feridas? Você pode me dizer o que aconteceu?
    Mesmo ferido e sentindo dores acerbas, Sérgio pensava nos outros.
    Poucas horas mais tarde, o missionário saía de cena...
    Deixava os palcos terrenos onde desempenhou com maestria o papel que lhe competia...
    No instante derradeiro, quando suas forças estavam no fim, Sérgio usou o sopro de voz que lhe restava para expressar o desejo de que a ONU continuasse no Iraque.
    “Não deixe que eles retirem a missão”, disse ao bombeiro que lhe prestava socorro.
    Por tudo isso hoje, hoje podemos dizer que o mundo não é mais o mesmo... está melhor. Porque um homem, que não era, nem pretendia ser santo, fez a sua parte.
    Um homem que colocou seu tijolo de amor na construção de um mundo onde a paz possa ser, um dia, realidade.
    ...Um homem, um ideal, uma vida.
    Sérgio Vieira de Mello escreveu, com as tintas inapagáveis do amor ao próximo, sua história... e deu a vida peloideal de um mundo livre e soberano, onde os direitos humanos sejam efetivamente respeitados.
    E, como tantos outros, ao fechar a mala e retornar para casa, Sérgio pôde dizer:
    Meu dia de trabalho acabou.
    Mas não posso dizer: minha vida acabou.
    Meu dia de trabalho se iniciará de novo na manhã seguinte.
    O túmulo não é um beco sem saída, é uma passagem.
    Fecha-se ao crepúsculo e a aurora vem abri-lo novamente.

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